Criança em tempo virtual






Autor: Ronaldo Marinho 






O Universo através de sua campanha de renovação, concedeu à Luana, a primogênita Ana Clara e o João Pedro, meu afilhado. Nascido em agosto de 2017, o “Pepeu” vive o seu terceiro dia das crianças. O João é simpático, afetuoso, faz cocô e espalha nas paredes brancas, da casa do padrinho. Reserva-se a poucas palavras, e narrativas curtas. Ele e a irmã, possuem bastantes brinquedos. No entanto, são adeptos do artesanato; confeccionam os próprios meios de diversão, com garrafas plásticas, papelão e vassouras. Desfrutam a oportunidade de residirem em chácara, convivem com plantas, animais domésticos e poeira. Não são escravizados pela internet, fazem uso comedido e monitorado.
Os pequeninos pertencentes à nova geração, não assimilam a existência, apartados das tecnologias digitais da informação e comunicação. O mercado de eletrônicos, especificamente o segmento de telefonia celular, desde o mês de agosto, empreende propagandas impactantes devotadas ao dia 12 de outubro. Os pais da dupla, nasceram em 1994, na infância de ambos, o acesso à rede mundial de computadores era razoavelmente bom. Digo razoavelmente, porquê tudo é atrelado ao poder aquisitivo.
Uma porcentagem considerável de crianças acessa a internet sem supervisão dos responsáveis. É preciso atenção aos mecanismos de segurança. A educação infantil necessita instrumentalizar-se para acolhida assertiva, orientando os filhos deste tempo. Alimentando-os com insumos produtores de bom senso e estimuladores do discernimento. Afinal, não é, e não será possível acompanhar toda a inovação, inclusive os golpes e crimes virtuais. A sensibilidade para análise de cenários, é bem-vinda, desde a infância. A socialização deve constituir meta dos pais, padrinhos, responsáveis e integrar as diretrizes de políticas públicas educacionais.
Os conceitos de moral, ética e de lealdade estão abalados, em nossos dias, com a exposição constante às mídias sociais. O período é de transição; os costumes tradicionais estão em desuso, enquanto os novos parâmetros de relações, ainda não se consolidaram. Há um hiato, uma entressafra. Como responsáveis devemos transmitir para a criançada que a internet é uma ferramenta imprescindível, e precisa ser empregada para o bem comum. Que, ela deixa rastros, não é terra devoluta, mas sim, território subordinado à legislação e regras de convívio. O “Pepeu” está na fase do envio de selfie para o grupo da família.
Feliz dia das crianças!

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