Presidente da França critica o Presidente Brasileiro "Queria ser correto construtivo com o cara e respeitar sua soberania tudo bem ,as eu não poderia aceitar isso" disse Macron ao presidente Chileno Sebastián Piñera ao lado da Chanceler Alemã Angela Merkel.
Chefe de estado francês disse que precisava reagir a comentários feitos por Bolsonaro e que brasileiro 'não teve atitude de presidente'
Um vídeo dos bastidores da cúpula do G7 em Biarritz, realizada em agosto, mostrou o presidente da França, Emmanuel Macron, inconformado com as atitudes de Jair Bolsonaro.
Nas imagens, divulgadas no fim de semana pela rede francesa CNews, Macron aparece ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, e do chileno Sebastián Piñera, que demonstram concordar com as falas do francês. "Eu queria ser pacífico. Queria ser correto, construtivo com ele (Bolsonaro) e respeitar sua soberania. Mas eu não poderia aceitar isso", disse Macron a Piñera. Merkel, que ouvia a conversa dos dois líderes, disse "não", aprovando o gesto de Macron.
"Você sabe o que ele fez quando meu ministro das Relações Exteriores foi lá (Brasil)?", perguntou Macron a Piñera. "Ele (Bolsonaro) o deveria receber e cancelou no último minuto para ir cortar o cabelo. E filmou a si mesmo. Desculpa, mas isso não é a atitude de um presidente", criticou Macron.
O vídeo foi registrado durante o almoço do segundo dia das reuniões do G7, depois de uma coletiva de imprensa em que Macron criticou publicamente Bolsonaro e disse torcer para que o Brasil tenha outro presidente. As falas de Macron no vídeo se referem tanto ao episódio em que Bolsonaro endossou uma piada no Facebook contendo uma ofensa à primeira-dama francesa, Brigitte, quanto ao cancelamento da reunião em Brasília com o chanceler francês Jean-Yves Le Drian. Brasil e França protagonizaram um episódio de tensão diplomática devido às políticas ambientais do governo Bolsonaro e as recentes queimadas na Amazônia.
Um programa da televisão francesa sobre os bastidores da cúpula do G7 em Biarritz, no mês passado, mostrou o momento em que o presidente francês, Emmanuel Macron, criticou o presidente Jair Bolsonaro diante de outros líderes em um almoço.
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, dirige-se ao chefe de estado francês em um almoço após o pronunciamento em que Macron disse esperar que os brasileiros tenham "um presidente que se comporte à altura".
Esse discurso foi uma resposta a um comentário de Bolsonaro em uma foto postada por um de seus seguidores no Facebook a respeito da sua mulher, Brigitte.
"Claro, eu tinha que reagir. Você entende [que eu tinha que reagir]?", pergunta o francês.
O chefe de Estado chileno responde: "Sim, eu concordo."
Macron continua: "Eu queria ser muito pacífico, ser construtivo com ele e respeitar a sua soberania; tudo bem. Mas eu não posso aceitar isso".
A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que estava ouvindo a conversa, balança a cabeça e concorda com o presidente francês.
"Você sabe o que ele fez quando o meu ministro das Relações Exteriores foi ao país dele?", prossegue Macron, ainda falando com Piñera.
"Ele deveria recebê-lo e cancelou no último minuto para cortar o cabelo. E filmou a si mesmo. Desculpa, mas isso não é atitude de um presidente", completa o francês.
Macron se referia ao cancelamento de uma reunião que Bolsonaro teria com o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, em 1º de agosto. Pouco depois de desmarcar a reunião, o presidente brasileiro fez uma transmissão por rede social enquanto cortava o cabelo e criticou o ministro: "O que ele veio tratar com ONG aqui? Quando fala em ONG, já nasce um alerta na cabeça de quem é que tem o mínimo de juízo", afirmou Bolsonaro.
Mal-estar entre presidentes
A relação entre Bolsonaro e Macron piorou quando o presidente francês disse em redes sociais que discutiria as queimadas na Amazônia durante a reunião do G7 em Biarritz e chamou a questão de "crise internacional". A declaração desencadeou em uma troca de farpas entre os dois chefes de estado. Veja cronologias abaixo.
* 22 de agosto: após a publicação de Macron, Bolsonaro diz lamentar que o francês "busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil" para "ganhos políticos pessoais".
* 23 de agosto: a Presidência da França acusa Bolsonaro de mentir no encontro do G20 no Japão, em junho, ao minimizar as preocupações com o a mudança climática. O governo Macron se opõe ao acordo Mercosul–União Europeia.
* 25 de agosto: líderes do G7 concordam em ajudar países afetados por incêndios na Amazônia "o mais rápido possível", anuncia Macron.
* 26 de agosto: Bolsonaro critica oferta de ajuda à Amazônia feita pelo G7. "Será que alguém ajuda alguém – a não ser uma pessoa pobre, né? – sem retorno? [...] O que que eles querem lá há tanto tempo?", questionou.
Os dois presidentes também discutiram sobre a questão da soberania do Brasil sobre a Amazônia.
* 26 de agosto: Macron diz que pode considerar um status internacional para a Amazônia caso um "Estado soberano" tome de "maneira clara e concreta medidas que se opõem ao interesse de todo o planeta.
* 27 de agosto: Bolsonaro exige que Macron "retire insultos" e volte atrás na declaração sobre soberania na Amazônia para que aceite conversar sobre ajuda oferecida pelo G7.
Macron e Bolsonaro também trocaram farpas após um comentário feito pelo brasileiro sobre a primeira-dama francesa, Brigitte Macron:
* 26 de agosto: perguntado sobre a publicação no Facebook de Bolsonaro, Macron afirmou: "Como tenho uma grande amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que eles rapidamente tenham um presidente que se comporte à altura".
* 27 de agosto: jornal francês publica que Brigitte Macron "ficou emocionada" com mensagens de apoio nas redes.
* 28 de agosto: comentário de Bolsonaro sobre Brigitte sai do ar na rede social.
* 29 de agosto: primeira-dama francesa agradece, em português, a mensagens de apoio.




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