Governos, Governados e Politizados
Carta Ao Leitor
Cabe aos cidadãos
organizarem-se elencando objetivos e interesses comunitários. O Estado e o
Governo necessitam de acionamentos através de petições oriundas dos movimentos
representativos de classes; organizações não governamentais, coletivos,
sindicatos e associações. No Brasil, atualmente, dados oficiais sinalizam mais
de 13 milhões de desempregados, 7 milhões de famílias sem acesso à casa
própria, e os indicadores da violência urbana e rural apresentam índices escabrosos.
Não há mistério, a
solução para os perrengues sociais está no acesso justo à renda, emprego e a
educação realmente de qualidade. Livrando-nos de aberrações tipo “escola sem
partido”, “future-se” ou daquelas que repreendem o ensino relacionado à
sexualidade, nas salas de aulas. Precisamos nos distanciar de militantes
psicóticos que forjam provas de que a Terra é plana. Figuras repressivas que
impõem através de falácias e medidas arbitrárias mecanismos para desmoralizar
as ciências. Gente que dispensa desprezo público às instituições fomentadoras de
arte e cultura. Destaco a importância daquele tipo de instrução e aculturamento
que realmente insere a pessoa à vivência social plena, tornando-a empreendedora,
combativa, consciente de seus direitos e deveres. Elegemos um Presidente da
República desarticulado e complacente com a desigualdade social. Sequer confeccionou
um plano federal de governança. Estamos à deriva, sem rádio, bússola e sem
bandeira vermelha.
Em Março de 2019, o
presidente Bolsonaro através de uma canetada instituiu a Medida Provisória 873/19
que determinava que a contribuição sindical fosse paga por meio de boleto
bancário, após manifestação individual e por escrito de cada trabalhador. Uma
serie de condicionantes para dificultar a adesão do empregado. Ainda bem que
MP’s têm vigência por apenas 120 dias, e essa não passou no Congresso Nacional.
Os sindicatos representam forças na luta contra o sistema de opressão e
escravidão assalariada. Enquanto isso, os donos do capital, e meios de produção,
engajam-se na defesa de seus interesses. Os banqueiros permanecem navegando em
lucros extraordinários.
O excesso de informação
atribula, e ainda a confundimos com conhecimento. Temos urgência em aprender o
uso consciente e produtivo da tecnologia da informação e comunicação. Como
dica, sugiro documentários extremamente esclarecedores disponíveis na internet, como o canal “Buenas Ideias”
do Eduardo Bueno. Contamos com literatura muito relevante e bem produzida, para
entendermos a formação e o sentido do Estado; como o livro “O Povo Brasileiro”
do escritor Darcy Ribeiro. São fontes que contribuem para desalienação. O
obscurantismo está entre nós, embutido em quase tudo. A lenha que alimenta essa
fogueira é o revisionismo da história. A máquina governamental nega a ditadura
militar, entre 1964 a 1985. Observamos o líder da nação relativizando as
torturas ocorridas no período e promovendo piadas preconceituosas.
Caminhando pelas
cidades avistamos condomínios inacabados do programa “minha casa, minha vida”,
criado no governo do PT. Abandonados às intempéries e ao olhar frustrado do trabalhador
que destina quase 40% de seu salário para o aluguel, às vezes, residindo em
áreas condenadas pela Defesa Civil. Violentado em sua dignidade. Alguns jovens
tentam reagir à esta agressão, através da criminalidade, e são abatidos pela polícia,
que ao invés de oportunizar a segurança, concretizam execuções.
A atitude mais vultosa
desse governo, até o momento, é a reforma da Previdência, que fortalece
aspectos desfavoráveis à qualidade de vida do trabalhador de menor poder
aquisitivo, em sua maioria, negros. Em seguida, teremos a reforma Tributária
que também irá lançar lavas de muita tensão sobre o solo mosaico. É importante
que ocorra a reforma Política. De denúncia em denúncia, de crise em crise a
situação de marginalidade e pobreza permanece intacta. Devemos articular e
revestir-nos de postura combativa. Em 2018, saboreamos a paralisação nacional
dos caminhoneiros, cito o ocorrido como evento positivo. Notabilizou-se o poder
do cidadão, organizado em entidades, para exigir direitos e representatividade
perante o Estado, governos e empresários. É recompensador o enfrentamento em
debates e mobilizações. O povo exercendo a política no cotidiano. Brasileiros
desempregados, no subemprego, em trabalhos informais, em situação de rua, e os
estudantes devem se insurgir na busca da justiça social. Eu disse: Insurgir!

Comentários
Postar um comentário