General Santos Cruz confirma que Bolsonaro está disposto a entregar a cabeça de Moro
Ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz teria dito em conversas reservadas que Jair Bolsonaro está disposto a tudo para livrar o filho, senador Flávio Bolsonaro, das investigações do chamado "esquema Queiroz", incluindo "entregar a cabeça” do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que vem sendo alvo de humilhações públicas.
O ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, teria dito em conversas reservadas que Jair Bolsonaro está disposto a tudo para livrar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que é investigado juntamente com o ex-assessor Fabricio Queiroz pela movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. Nesta linha Santos Cruz teria dito que Bolsonaro avalia "entregar a cabeça” do ministro da Justiça Sérgio Moro para livrar o filho das investigações, diz O Antagonista, site que atua como porta-voz do ex-juiz.
Santos Cruz foi demitido em junho após ser alvo de críticas diretas dos filhos de Bolsonaro e do astrólogo Olavo de Carvalho, guru do clã. A sua saída teria sido motivada principalmente pela disputa pelo controle da comunicação governamental e em função da relação do governo com blogs e sites de extrema-direita.
As conversas de Santos Cruz sobre a iminente saída de Moro acontecem na esteira da fritura do ex-juiz em função da interferência de Bolsonaro no comando da Polícia Federal. Cada vez mais isolado, Moro vinha ameaçando pedir demissão caso o atual diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, fosse removido do cargo para dar espaço para pessoas ligadas a Bolsonaro. As últimas informações, porém, apontam que Valeixo já estaria limpando as gavetas para dar vez ao bolsonarista Anderson Torres.
Com isso, Bolsonaro pressiona Moro a pedir demissão enquanto, ao mesmo tempo, blinda o filho das investigações sobre as irregularidades que teriam sido cometidas enquanto Flávio Bolsonaro exercia o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
"Bateu o desespero da base de apoio a Sergio Moro no Congresso Nacional", assim definiu o jornalista Robson Bonin, da revista Veja, sobre o ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro e a vitória da oposição que conseguiu as assinaturas para instalar nesta sexta-feira (13) uma CPI para investigar as revelações trazidas pelo The Intercept, que mostram o conluio de Moro com os procuradores de Curitiba para condenar e prender o ex-presidente Lula.
Sem apoio da base do governo Jair Bolsonaro, que anda fritando o ex-juiz nos bastidores, Moro conta com alguns aliados. O deputado Capitão Augusto (PL-SP), líder da bancada da bala, tenta esvaziar o movimento pela instalação da CPI e diz que pelos menos seis parlamentares foram "convencidos" a retirar suas assinaturas, entre as quais Tabata Amaral (PDT-SP) e Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ).
Nas palavras do deputado, o objetivo é retirar o apoio de deputados para “respirar tranquilo”, reforçando o medo de Moro em ser investigado. Ele ainda reclamou da indiferença do governo Bolsonaro.
“O governo que deveria estar fazendo esse corpo a corpo. Inacreditável isso. Não é possível que o governo não estava sabendo dessa CPI nos bastidores, e não se mobilizou antes. Não vi um movimento do governo. Tem gente que assinou isso aí e nem sabia. São essas assinaturas colhidas nos corredores e de qualquer jeito”, admitiu o parlamentar, reconhecendo o isolamento de Moro por parte de Bolsonaro.
Ainda de acordo com reportagem da Veja, Alexandre Frota (PSDB-SP) também estaria inclinado a tirar seu nome da lista. O deputado Lucas Vergílio (Solidariedade-GO) também teria pedido a retirada de sua assinatura do requerimento.
No entanto, de acordo com o regimento da Casa, não é possível retirar apoio depois que o pedido é apresentado. Augusto lançou a tese de que que se o signatário solicitar a retirada em até 24 horas após o protocolo, tem que ser aceito.


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